Relacionamento Online Falso Refúgio

Tenho encontrado e atendido muitas pessoas que conhecem ou tentam encontrar parceiros através de sites de encontro. As experiências relatadas tem sido as mais variadas, no entanto, é bem frequente uma frustração quando se tenta passar do ambiente virtual ao real.
Normalmente, os usuários se motivam a usar os sites de relacionamento porque imaginam que esse tipo de ferramenta pode encurtar caminhos ou trazer a pessoa ¨certa¨ com menos esforço ou menor grau de frustração.                 Muitos estão desanimados e cansados de buscar, de se expor socialmente e vêem nesse meio a possibilidade de usar filtros preferenciais e assim encontrar, com certa facilidade, alguém compatível com sua personalidade e expectativas. Porém, é bastante comum que, se após os contatos online, houver um encontro pessoal, as coisas não funcionem da mesma maneira, dentro da mesma sintonia que vinha fluindo virtualmente. A pessoa imaginada e desejada, que se idealizou estar do outro lado de uma comunicação virtual, quando se materializa em discurso corporal e verbal, deixa de ser o sujeito do nosso imaginário e passa a ser alguém real e verdadeiro sobre o qual vamos imprimir outras percepções e emoções, muito diferentes daquelas que sentíamos no ambiente online.

O grau de ansiedade, angústia e depressão advindo das frustrações e decepções que as relações virtuais podem gerar nos indivíduos está cada dia mais alarmante e é ligado diretamente aos níveis de dependência, isolamento social e ancoramento psico-afetivo da sociedade atual. É importante que cada um perceba até que ponto permite que uma relação virtual domine sua vida emocional, estando atento aos limites de influência dos mecanismos de fuga e acomodação de seu próprio estado psicológico.
As ferramentas de relacionamento online podem ser úteis como ponte de ligação inicial entre pessoas, mas não devem substituir as relações pessoais nem servir de plataforma de acomodação e refúgio contra o medo e a ansiedade de se relacionar afetivamente.
É fundamental que a capacidade e a coragem de se viver experiências afetivas ao vivo não seja desprezada o temor da decepção não permita que o ser humano troque suas vivências amorosas por histórias distanciadas e protegidas, carregadas de fantasias e impedimentos
de um universo simbólico.
Nada como crescer e evoluir a partir da capacidade de se ferir, se recuperar, repetir e recomeçar.
Coragem!
Marcia Medeiros

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